10 Outubro 2006
Actualmente, na produção suinícola intensiva, existe um risco acrescido relativamente ao microbismo da exploração, que condicionado pelas dificuldades de maneio e instalações, predispõe com relativa facilidade à exacerbação de variados agentes bacterianos e virais, invariavelmente presentes, inicialmente com manifestações discretas.
Os desequilíbrios de maneio, já referidos, conduzem sistematicamente ao desencadeamento de afecções específicas e/ou concorrentes de um ou mais desses agentes.
No actual contexto, em que se torna imperativo debelar os efeitos nefastos, do ponto de vista clínico, zootécnico e económico, daquelas afecções, no menor período de tempo possível, fica condicionada muitas vezes a escolha da melhor atitude a empreender, adoptando-se, em muitos casos, pela alternativa (aparentemente) mais rápida e visível.
Referimo-nos aos frequentes casos de necessidade imediata de controlar afecções respiratórias, causadas por agentes bacterianos secundários (App, Hemófilos parasuis, Streptococcus suis, Pasteurella multocida, etc) a outros agentes virais primários e mais discretos (PRRS, PCV-2, Aujeszky, Influenza, etc). Noutros casos os próprios agentes bacterianos podem ser primários.
Neste contexto de grande interacção entre estes agentes, o controlo estratégico da situação, deveria passar pela identificação dos agentes primários e seu controlo, conseguindo-se também, deste modo e consequentemente, o controlo dos agentes secundários, muitas vezes os principais causadores das afecções mais exuberantes.
A simples e mais mediata, utilização de “bombas” antibióticas para suprimir as afecções alcança invariavelmente um resultado mascarado, pois suprime, provisoriamente, os agentes secundários responsáveis pela afecção em vigor, não resolvendo, pela base do problema, a ocorrência dos agentes primários (muitas vezes virais, que como se sabe são insensíveis aos antibióticos). Além deste falso sucesso terapêutico, incorre-se ainda no risco, pelo uso sistemático de antibióticos (Metafiláxia) do surgimento de resistências crescentes por parte dos agentes bacterianos prevalentes.
Esta é a realidade que tem vagueando pelo sector suinícola, um pouco como reacção à supressão dos promotores de crescimento.
É evidente que se trata duma politica de futuro limitado, pois produzirá, em breve, os efeitos adversos e indesejáveis, já mencionados.
Trata-se duma situação clara de desperdício de arsenal terapêutico, que poderá, em situações apropriadas revelar-se inoperante.
A forma que, cientifica e universalmente, é reconhecida como a mais adequada, passa pela identificação do (s) agente (s) primário (s) (virais e/ou bacterianos) e pela adopção de medidas correctas para o seu controlo.
Estas medidas englobam fundamentalmente técnicas correctas de maneio (instalações, densidade e agrupamento de animais, higiene, etc), regime alimentar, estirpe animal, assistência técnica e prevenção relativamente aos referidos agentes primários (Profilaxia).
Embora encarado como pouco visível ou menos mediático, o resultado da profilaxia (vacinações) engloba os parâmetros técnicos e científicos mais indicados e proveitosos, para os animais, exploração e sua rentabilidade económica bem como para o consumidor e imagem final da carne de porco.
Metafiláxia
(uso sistemático de antibióticos) | Profilaxia
(vacinação) |
| Aparentemente mais rápida | Igualmente rápida |
| Abrangente a vários agentes | Específica para os agentes |
| Menor custo…no início | Melhor investimento |
| Apenas bactérias | Bactérias e vírus |
| Remedeia | Previne |
| Resistências inevitáveis | Ausência de resistências |
| Pode afectar saúde pública | Sem riscos para a saúde pública |
| Selecção de estirpes novas | Irradicação das estirpes |
| Limita leque terapêutico | Salvaguarda arsenal terapêutico |
| Resíduos vistígiais | Sem resíduos |
| Necessidade novas moléculas | Eficácia permanente |
| Impopular para consumidor | Popular para todos |
| Futuro limitado | Futuro |
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